Nathalia e eu
outubro 22, 2008
Quando Nathalia aparecia por entre os livros da biblioteca, meu coração saltava do peito, eu tremia e me sentia frio apenas por olha-la entre as aberturas. Ela nunca me notara até o dia em que me pegou olhando para ela, paralisada. Parecia feliz e ao mesmo tempo decepcionada com alguma coisa. Apenas sorri e sai correndo por entre as prateleiras, sumi. Outras vezes na biblioteca, não a procurava mais, mas sabia que ela estava a me olhar de algum lugar. Eu a amava com todo o meu corpo, com toda a minha alma e meu coração batia na veia toda vez que a via andando no pátio da escola ou lendo um livro sozinha num canto. Nathalia nunca soube disso e nunca saberá da minha boca, mas se ela sequer tivesse perguntado meu nome, tivesse perguntado o que eu tanto olhava, talvez eu teria dito o quanto ela era bonita, o quanto ela era perfeita pra mim. Mas ao invés disso, ficava lá, calada, me observando no primeiro andar. Morria de vergonha dela e ela de mim. Nunca me dirigia a palavra, era apenas sorrisos e olhares tortos, de canto de olho. Passamos o ano inteiro nisso, eu e Nathalia, fugindo do corpo um do outro, da voz e do cheiro. Até que um dia ela se virou e disse que eu era bonito e que eu era perfeito para ela. Eu morri,chorei e sorri em seguida. Era onde eu deveria estar.
doses cavalares
outubro 6, 2008
Tomo sopa em uma xicara, apenas para ver se o meu calor interno volta. Mas quebro todo o ritual tomando goles e mais goles de suco de macarujá, meu favorito, tentando estabelecer um meio-termo entre o frio e o calor que sinto aos extremos. De um lado, a minha sopa que eu acabara de experimentar, ainda bem quente e escura, com uns pedaços de verdura e uns grãos de arroz. Do outro, apenas o liquido amarelado e gélido, como sempre foi, saido da geladeira. O copo de suco está pela metade, meio vazio e meio forte demais, mas apenas um mero suco que bebo todos os dias doses cavalares dele. Normal demais. Enquanto a sopa, pela metade, meio cheio, meio no ponto, que todo uma vez por semana, que é muito raro para uma pessoa que viciou em sopa. Mas, enquanto eu sempre bebo o suco, que já nem gosto tem; espero todos os dias pelo dia que tomarei aquela sopa, do jeito que ela é, do jeito que ela foi feita e do jeito que esperava ansiosamente, assim como eu, por mim.
[ e tudo pode ser outra coisa que não parece ]
O chão que ela pisa
outubro 2, 2008
O chão que ela pisa é formado por pequenos blocos de concreto… Ela passa, tão sorridente com seus amigos e sua enorme bolsa, nem percebe que estou a olhar. Um par de chinelos ela arrasta nos pés, uma simples blusa branca que aparece um poucos dos seus seios e aquela calça que gruda no seus corpo como se fizesse parte dela, assim, tão perfeito corpo que mantém a calça no contorno. Ela usa oculos escuros, mesmo sem muito sol, e um cabelo bonito, curto e voador, tão parecido com ela e tão diferente de mim, que nada pareço com ela. Ela ri e brilha entre os demais, as pessoas que com elas estão parecem acompanha-la, tentando brilhar tanto quanto ela e talvez, nunca conseguirão. Ela carrega consigo algumas cartas de amor e talvez um sentimento que não precisa ser mostrado, porque não quer parecer vulneravel e nem dependente de alguém. Tudo é muito cinza na praça que ela resolve sentar, havia algumas pessoas a esperar por alguma coisa que não sabiam o que era, talvez um sonho ou algum dinheiro. Acho que dinheiro. Ela não. Ela gostaria apenas de um suco, alguma companhia agradavel e um, quem sabe, amor. Muitos a desejam calados, esperando brexas que nunca irão ser abertas, apenas desejando-a sem nenhum fio sentimental, apenas o desejo de tê-la perto por alguns meros tempos. Ela quer mais, alguma coisa que valha, algum sentimento tipo turbilhão, que a carregue para longe da sua vida cansativa e cheirando a anfetamina. Intensidade, essa é a palavra que ela tanto coloca na sua vida, nas suas atitudes e emoções. Tudo o que eu não sei ser… Na minha calma eterna ela não quer entrar, ela não quer entrar na minha dança e nem na minha história. Prefere ficar de fora, apenas observando a minha paz pertubadora, a minha falta do que fazer com as mãos e a incerteza dos meus olhos. Eu sou tudo o que ela não quer. Incerteza, calmaria e muitos espaços em branco. E ela é tudo o que eu quero, apenas ela por completo. Ou talvez seja tudo ao contrário.
Come to me
outubro 1, 2008
Ela se consome em tristeza, apenas vê seus olhos molhados d’agua, sem ter muito no que pensar, pensa apenas na sua derrota interna. Ela perdeu para si mesmo quando achava que era forte o bastante para aguentar os pesares dos outros. Ela não ligou para quase nada, arranjou algumas roupas, colocou-as numa bolsa qualquer e partiu… Partiu ao infinito e sozinha, apenas com algumas fotos e recordações de coisas que não mais significam alguma coisa com sentimento. Para ela é apenas um céu e uma estrada, alguma coragem e muita dor. Algumas pessoas, do seu antigo ciclo de amizades, a achavam temperamental demais e muitas vezes flutuante… Ela era apenas ela e nada mais, um tanto sonhadora e um tanto só. Apenas um monte de pele e gordura em cima de ossos fortes e com uma mente-coração fragil. Ela era apenas isso. Um monte de coisa numa coisa só. E nunca mudará além do corte de cabelo e dos calçados, que já estão bastante gastos por causa do sol que esquenta o chão que ela pisa.